domingo, 19 de julho de 2009

Loucura? depende do ponto de vista

Hoje em dia é difícil de se confiar nos outros. Uma hora a pessoa pode ser sua melhor amiga, e em outra, quando lhe for conveniente, pode lhe dar uma punhalada nas costas. Simplesmente sem motivo nenhum. Será que a pessoa é louca, ou trata-se de um desvio de caráter? Bem, pode ser um pouquinho dos dois, pois na psicologia o comportamento antissocial e psicopata são doenças psiquiátricas que têm como consequência um desvio no caráter que se funda no desprezo do ser humano e das convenções sociais com o objetivo de se conseguir o que deseja.

Não sei se essa compulsão louca das pessoas para atingir objetivos fúteis - e que não influiriam em nada em sua felicidade - para mostrar a sociedade que PODEM é uma tendência intrínseca da nossa sociedade capitalista sedenta por dinheiro, ou se acontece desde os tempos mais primórdios, mas é fato que essas atitudes sem lógica são reflexo do mundo louco em que vivemos.

Gostaria de pegar um trecho antigo de uma coluna da Martha Medeiros (de novo rs), que resume um pouco a realidade insana em que vivemos. Fala-se também da ilusão na qual alguns vivem para satisfazer seu ego, alicerçado a partir da aceitação e aprovação alheia, que os ocupam o suficiente para que esqueçam de sua própria felicidade:

"Em tempos insanos, de tanta gente maluca por vaidade, maluca por juventude, maluca por dinheiro, maluca por poder, os lúcidos destacam-se pela raridade. São aqueles que não inventam personagens de si mesmos, não se trapaceiam, não criam fantasias, ao contrário: se comprometem com a verdade. E se envolver com a transparência dos fatos requer uma integridade diabólica [...] O lúcido faz parte do time - cada vez mais desfalcado - dos que se desesperam de um modo mais íntimo e refinado. O lúcido organiza sua loucura, acondiciona o que está solto no ar, interliga várias ideias interdependentes para que, agarradas umas nas outras, não se dispersem, estejam ao alcance da mente. Lúcido é só um outronome para louco: O louco que tem a cabeça no lugar."

O trecho acima também debate o tema tão batido das postagens anteriores: sinceridade. E o que acontece na verdade é exatamente isso: as pessoas vivem tão preocupadas com seu "marketing pessoal" que podemos considerar certos extremismos como doença. Ué, mas o mundo todo estaria doente, então. Sim, mas não falo apenas de nosso planeta, devido à destruição deste pelo homem, mas principalmente das PESSOAS.

Vejamos um indivíduo cujo histórico resultou em diversos traumas que como consequência geraram sentimentos como ódio, revolta e vingança, sentimentos com os quais ele convive diariamente. Juntando o histórico de vida desse sujeito com o contexto em que ele vive, podemos até encontrar algum fundamento para justificar certos desejos tais como "conseguir muito dinheiro", e pegar "quantas mulheres quanto puder para mostrar sua virilidade para os amigos", mas para alguns, que não ambicionam estas coisas como objetivo de vida e como princípio para felicidade, tratam-se de meios ineficazes para que esta pessoa atinja seu objetivo em mente (a pessoa apenas ficaria satisfeita em um momento fugaz), em contraposição a outros que considerariam que tem toda uma lógica imbutida por trás deste comportamento e que, dessa forma, nosso "estudo de caso" poderia viver mais feliz.

Esse mundo de aparência e de ilusões é sufocante. Por que as pessoas não se preocupam simplesmente em viver as suas vidas? A felicidade não está em rios de dinheiro, e menos ainda na busca da aparência de um semideus. A felicidade não deve ser buscada no outro, mas em nós mesmos. Se alguém não o aceita como você é, é porque não é de fato seu amigo. E será que vale a pena viver sabendo que a pessoa só é sua amiga por algum interesse, e não porque gosta de você? Acho que viver dessa forma deve causar um vazio profundo e uma melancolia sem fim. E o pior é que as pessoas não conseguem captar a razão dessa inquietude interna, que é a falta de
atitude, coragem e de comprometimento para ir em busca do que se quer e do que se tem vontade de fazer, e negam a plenitude de seus sentimentos agindo da forma que os outros julgam melhor para elas.

Sinto falta das palavras AMIZADE, SOLIDARIEDADE e AMOR. Parece que não há espaço para elas no contexto atual em que vivemos. Parecem que estão fora de moda. Essas palavras são vulgarizadas hoje em dia, e são tão comumente ditas como um vento que passou. A semântica dessas palavras foi alterada, mas esqueceram de atualizar no dicionário e de fazer um registro etimológico.

Prefiro viver numa casa no campo, numa casinha de sapê, virar hippie do que ter que me submeter a essas convenções do sistema captalista e da "cidade malandragem": o Rio de Janeiro. Pessoas que são sinceras consigo mesmas tem que ter uma capacidade ímpar de lidar e engolir essa triste realidade que é a mentira em que a maioria vive. Como diria uma amiga minha, "só dá maluco, mané. Só dá maluco". E continuando o desabafo de Taly, "cara, vou gravar essa frase na parede de uma caverna, as gerações futuras precisam levar em consideração o mal dessa sociedade, a falta de sanidade mental."

Outras frases interessantes e que têm a ver com o contexto, mas que infelizmente desconheço os autores, são:

"Quem se submete aos homens já está submetido às coisas."

"Livra-te de desejos e temores, e livrar-te-á dos teus tiranos."

Outra frase interessante, essa com autor conhecido, é "as aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam. Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões" (Sérgio Natureza / Tunai).

E finalizo a postagem com a frase do escritor Jostein Gaarder, "Tudo não passa de Maya (ilusão)."

Um comentário:

Monique disse...

Qd se trata de ser humano tudo é possível. Por isso, eu sigo a filosofia da minha avó...
"Sou mais o meu cachorro".
Beijos Mumu