quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Morte de bartender em companhia de cruzeiro deixa policiais intrigados

Alguns brasileiros conseguiram ter ciência deste triste acontecimento tão pouco divulgado que ocorreu no navio MSC Música, da MSC. Uma bartender brasileira, que trabalhava no bar do navio, foi encontrada estrangulada com leiçóis na cabine onde dividia com o seu namorado, também brasileiro. Além disso foi encontrado no quarto cocaína. O que mais intrigou a polícia neste caso foi o fato do quarto ter sido arrumado após o crime, o que, com toda a certeza, eliminou várias provas do local. Para saber mais detalhes do ocorrido, veja o link do site Band News - http://bandnewstv.band.com.br/conteudo.asp?ID=252042&CNL=20 – e uma matéria no site do Terra - http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4202030-EI5030,00-Bartender+de+cruzeiro+e+encontrada+morta+em+navio.html

Não deve ser de conhecimento de muitos dos meus leitores, mas já trabalhei para uma companhia italiana de cruzeiros marítimos e, inclusive, tenho um blog – http://fiqueiavernavios.blogspot.com/ – no qual eu relatava o dia a dia do longo processo seletivo, os milhares de cursos que tive que fazer e pagar do meu bolso, e toda a ansiedade que tomou conta de mim desde meses antes de embarcar. No entanto, durei 15 dias no navio, e algumas razões vêm logo abaixo, junto com mais informações e opiniões sobre o ocorrido.

Uma das coisas que mais me impressionou surpreendentemente não foi o assassinato de um funcionário que ocorreu a bordo, pois como já trabalhei em cruzeiro, estou ciente de todos esses riscos, mas sim a FALTA DE COBERTURA DOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. Como toda comunicóloga que se preze, eu fiquei chocada com o descaso pelos veículos de comunicação – ou será que foram calados na marra? Soube do que aconteceu através de um amigo meu, jornalista, que me enviou o link do Terra. Quando cheguei do trabalho, liguei a TV e a única coisa que vi a respeito foi no jornal Band News. A Globo não veiculou nada a respeito na TV, até onde eu sei. Não encontrei nada no site da Globo, também (no qual preferiram dar destaque a ida de Elenita ao paredão no BBB). A notícia, veiculada dia 13/01/2010, não teve mais nenhuma menção nos dias seguintes.

A falta de menção ao caso nos faz ter ideia do poderio dessas companhias de cruzeiro. Fico pensando se algo parecido tivesse acontecido com um(a) brasileiro(a) no exterior, seja um estupro, uma morte por infecção alimentar ou mesmo um outro assassinato. Mas com toda a certeza o caso seria abafado! Meus parabéns aos veículos que puseram suas caras à tapa.

O governo nunca se preocupou com leis trabalhistas referentes a brasileiros que trabalham a bordo. Tudo pode acontecer, porque não há nenhuma lei no Brasil que regulamente esses tipos de empregos, embora nos cursos voltados para trabalhos em cruzeiros seja dito que haja. Você fica lá, à deriva, em terra de ninguém – não apenas porque você acorda em cada dia num lugar diferente, mas porque a bandeira que o navio aporta pode ser de um país onde pouquíssimas leis prevalecem, e você fica sujeito a essas leis –, e exposto a todo e a qualquer tipo de riscos, tais como assédio moral, sexual, trabalho escravo, infecções (especialmente a alimentar), falta de assistência médica e de medicamentos, entre outros.

Algo bem comum é ver pessoas que vão trabalhar a bordo, seja porque estão em busca de um trabalho honesto, ou porque querem viajar o mundo e juntar um dinheiro, e que depois voltam, em questões de dias, com uma mão na frente e outra atrás. Isso porque as companhias também cobram a passagem de volta para casa. Pode-se dizer também que é questão de sorte voltar para casa sem nenhuma lesão, tais como hérnias de disco e problemas nos joelhos, o que exigiria um cuidado e um tratamento caríssimo, para toda a vida, devido à quantidade de peso que são obrigados a carregar em suas funções diárias, em especial os garçons, que carregam todo dia bandejas com mais de 20kgs de um lado só do corpo, 12hrs por dia.

As pessoas que vão trabalhar a bordo e se desligam da empresa retornam aos seus países de origem acuadas, receosas e muuuito envergonhadas de terem investido e se dedicado com afinco por meses. Entretanto, muitos ficam desesperançosos de levar um processo adiante, pois não se acham capazes de desafiar o poderio dessas grandes companhias, e acreditam que abrir um processo seria muito complicado, demorado e delicado, mesmo porque envolveria direito internacional, pela razão dessas companhias serem estrangeiras. Alguns advogados dizem, no entanto, que as leis que o navio segue não se baseiam apenas nas do país representado pela bandeira do navio, mas também do local onde o navio está no momento em que determinado problema aconteceu. No entanto, pelo fato dessas companhias geralmente terem representações no Brasil, há ainda advogados que defendem que o que deve ser levado em consideração, dessa forma, é a lei brasileira. Abrir um processo de natureza trabalhista contra essas companhias é mais difícil do que vocês imaginavam, não?

Voltando à matéria, eu cheguei a fazer um curso com o suposto assassino apontado pelos jornais. Eu disse SUPOSTO. Acho perigoso apontar um suspeito antes de todas as provas serem averiguadas. Não cheguei a sequer trocar palavras com o mesmo, que fazia parte da mesma turma que eu num curso chamado STCW, que custou em torno de R$ 700,00, dinheiro o qual vem dos bolsos dos candidatos à vaga. A marinha brasileira exige tal certificação para que se possa trabalhar a bordo. E esse é só um dos cursos que necessita de pagamento! Esperemos que a polícia não seja calada por essas companhias multibilionárias e vá até o final neste caso, aplicando todas as medidas e sanções possíveis para que a justiça seja feita. E para aqueles que se sentirem lesados pelas companhias, “não se reprimam”, como diria o Menudo, e processem! Se ninguém começar a fazer alguma coisa, nada mudará.


“Para o mal triunfar, basta que o bem não faça nada”.

3 comentários:

Guto disse...

Maya, tentei acompanhar a notícia mas em determinado momento ela simplesmente SUMIU dos veículos, inclusive os aqui de Santos. Se puder (e tiver a fim) me escreve gutozorovich@hotmail.com estou tentando buscar umas realidades...

Maya . disse...

Oi Guto, só tenho essas infos. Até onde sei, só passou sobre o assunto no site Terra e na Bandeirantes. Os links estão no próprio blog. Não procurei mais notícias a respeito, mas deve ter bastante coisa nas comundades do MSC e de empresas de recrutamento a bordo.

mr games disse...

Olá Maya, agradeço muito o interesse, e sinito somente er achado seu blog hoje dia 01/04/2010.
Me chamo José Godolphim, sou irmão da tripulante morta do MSC MUSICA.
Minha perplexidade é a mesma que a sua, e não foi por falta de tentativas, entrei em contato com TODOS os meios de comunicação existentes no Brasil e no Exterior, mas o que sai é muito puouco.
tenha certeza de uma coisa, todos os culpados pagarão.
Se quiser mais detalhes, meu e-mail é.
jgbn25@hotmail.com
Obrigado.